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Quantos boeings em nossas ruas…

21 jun

A queda do Boeing da Gol, em setembro de 2006, que matou 154 pessoas no Mato Grosso chocou a população brasileira. O desastre foi divulgado por toda a imprensa e já nos primeiros momentos após o acidente surgiu o debate acerca de suas causas. Especialistas de diversas áreas foram convidados à televisão para opinarem sobre o assunto, o clima de comoção era generalizado. Em 2007, um avião da TAM derrapou na pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e se chocou contra um prédio de carga e descarga da própria companhia aérea. Resultado: 186 pessoas mortas no maior acidente aéreo da história deste país.

Nestas duas tragédias, ocorridas num período de menos de um ano, morreram 340 pessoas. Dentre elas, muitos pais e mães de família, crianças, jovens cheios de sonhos e planos, pessoas com compromissos a honrar, abraços a receber… Vidas interrompidas bruscamente, famílias desestabilizadas, dor, sofrimento, lágrimas… Entre escombros e cinzas, só restou a saudade de familiares e amigos.

Se há algo de positivo nestes incidentes, é que o grande debate montado em torno do assunto e as investigações que se levaram a cabo em busca de respostas às perguntas que surgiram, desencadearam um processo de reflexão sobre o sistema de segurança do transporte aéreo. O mínimo que se pode esperar como resposta a tragédias é investigar as suas causas e estudar formas de evitar que elas voltem a acontecer ou de reduzir os seus impactos.

Um acidente fatal de avião é um evento muito impactante porque, muitas vezes, leva várias pessoas à morte de uma só vez. Nas vias terrestres, onde trafegam os veículos automotores, não motorizados e pedestres, no entanto, morrem anualmente muito mais pessoas do que em acidentes de transportes aéreos, isto sem contar a quantidade absurda de feridos, o que, paradoxalmente, não parece chamar a atenção da sociedade de maneira proporcional. É sabido, porém, que uma torneira gotejando por vários dias provoca um desperdício muito maior em relação à outra que jorra água por 1 minuto.

Em 2010, somente no estado de Alagoas, morreram mais de 788[1] pessoas, o que representa um aumento de 30,7% em relação aos números de 2009 e mais que o dobro do número de mortos nas duas maiores tragédias em acidentes com aviões da história do Brasil. Números a parte, a tragédia da violência no trânsito brasileiro é diferente porque é contínua, como uma ferida aberta que não cicatriza nunca, e segue crescendo, configurando um cenário que fica cada vez mais problemático e assustador. Nos últimos quatro anos o número de acidentes com vítimas cresceu algo em torno de 33% no Estado. No Brasil, o cenário não é diferente.

No mês passado, foi lançado o “Pacto Nacional pela Redução de Acidentes de Trânsito”, do Governo Federal, que visa atender a resolução da ONU que estabelece a década de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. É preciso aproveitar este momento para que estado e sociedade tomem atitudes imediatas e firmes, com a urgência imperativa frente a situações que extrapolam limites e desafiam a humanidade. Chega de acidentes, chega de vítimas, chega de lágrimas e dor em nossas vias de tráfego! A mobilidade é um direito humano, não uma sentença de morte.


[1] Segundo dados do Instituto Médico Legal do estado de Alagoas.

Infrações de trânsito e sociedade

28 dez

O Homem trafegava em alta velocidade quando ultrapassou um carro em lugar proibido, então tentou reduzir a marcha, mas não teve tempo de parar e avançou o sinal vermelho, tudo isto sem cinto de segurança. Por sorte não ocasionou nenhum acidente enquanto dirigia distraído, falando ao celular. Parou então em um lugar proibido quando, enfim, um agente de trânsito o abordou pedindo os documentos de porte obrigatório que, não surpreendentemente, ele não tinha.

Esta é uma hipotética cena criada a partir da descrição das infrações mais cometidas cotidianamente no trânsito de Alagoas. Não é de se esperar que este cenário comportamental de imprudência e irresponsabilidade na condução de veículos, possa refletir outra realidade que não seja os problemáticos índices de violência no trânsito com o crescente número de acidentes e vítimas.

O Problema do trânsito extrapola o universo das vias de tráfego. Trata-se, sobretudo, de um problema social que produz milhares de vítimas diariamente, algumas vidas perdidas, famílias desestabilizadas e alto custo social, tanto no que diz respeito aos orçamentos da saúde pública, quanto à perda de produtividade de jovens entregues à seguridade social prematuramente.

É preciso mudar radicalmente o comportamento dos condutores e, para isso, é preciso antes mudar o comportamento do cidadão, e isto se dá através de um intenso processo de conscientização social, por meio de ações voltadas à educação, informação, fiscalização e punição de infratores. Mal este que, lamentavelmente, não se pode preterir e que se justifica sempre que se refletir em uma redução da violência no trânsito, sobrepujando o argumento de “indústria de multas”, muitas vezes utilizado por mero populismo.

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