Há quanto tempo estamos juntos, querida minha?
Quanto de ti guardo em minha memória?
Quanto somos, tu e eu, páginas da mesma história?
Lembranças de ti eu guardo
Ao longo de toda a vida
Mas somente agora percebo
Quão pouco te conheço
[Insensível que sou]
Acostumei-me a olhar
E não enxergar tuas curvas sinuosas
Teus olhares estonteantes
Tua beleza sonora
Meus olhares [cegos que são] só enxergam
Tuas saliências grotescas
Teus pormenores desprivilegiados
Tuas duras enxaquecas
Quanto tempo perdi, minha cara
Eu dentro de ti
E tu dentro de mim
Vislumbrando-te, no entanto,
Como se um distraído viajante fora
Perdoa, por favor,
Prometo que a partir de hoje
Serei o mais atencioso
De teus muitos amantes
Aceita este humilde presente
Neste dia em que comemoras
Mais uma primavera
Minha terra senhora
Minha Maceió

Gosto desse suspense “sobre o q ele está falando?”. Só não é de mulher! Eu fiquei tentando deduzir e cheguei a conclusão: cabeça! Falou em enxaqueca deve ser uma ode a própria cabeça.
Tá bom, ficou uma bonita homenagem a maceió!
Além de homenagem é também um alerta à mesmice em que costumamos nos inserir vivendo na mesma cidade por muito tempo.