Histórias de terror

14 jan

Sempre tive medo de histórias de terror. Filmes com este tema nunca me agradaram e as únicas vezes que dediquei tempo a vê-los foi, quando criança, na tentativa de provar minha hombridade frente a meus irmãos mais velhos que adoravam disfrutar de histórias horripilantes.

Aqueles em que o mal é representado por figuras sobrenaturais como fantasmas, híbridos bizarros ou quimeras alucinantes eram os que mais me amedrontavam. Talvez devido à impossibilidade humana de controlar o sobrenatural.

Assassinos brutais são temíveis, mas não passam de seres humanos e, como tais, possuem limitações inerentes à sua raça.
Hoje tenho a consciência de o porquê sinto medo ao ver filmes de terror, ainda que tenha a consciência clara de que as imagens não passam de uma encenação.

A ficção, afinal, está baseada naquilo que conhecemos, logo, de maneira direta ou indireta, na realidade.

A maioria das pessoas nunca chegará a ser uma estrela de cinema, mas, na vida real, mocinhos e bandidos podem ser qualquer um de nós.

Ainda que creiamos que o protagonismo das histórias reais sempre é do vizinho.

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Querida minha

10 dez

Há quanto tempo estamos juntos, querida minha?
Quanto de ti guardo em minha memória?
Quanto somos, tu e eu, páginas da mesma história?

Lembranças de ti eu guardo
Ao longo de toda a vida
Mas somente agora percebo
Quão pouco te conheço

[Insensível que sou]

Acostumei-me a olhar
E não enxergar tuas curvas sinuosas
Teus olhares estonteantes
Tua beleza sonora

Meus olhares [cegos que são] só enxergam
Tuas saliências grotescas
Teus pormenores desprivilegiados
Tuas duras enxaquecas

Quanto tempo perdi, minha cara
Eu dentro de ti
E tu dentro de mim
Vislumbrando-te, no entanto,
Como se um distraído viajante fora

Perdoa, por favor,
Prometo que a partir de hoje
Serei o mais atencioso
De teus muitos amantes

Aceita este humilde presente
Neste dia em que comemoras
Mais uma primavera

Minha terra senhora
Minha Maceió

O adeus ao Dr. Sócrates

4 dez

O mundo se despede do homem que foi médico e pensador, fazendo jus ao nome de Sócrates Brasileiro. Foi o revolucionário criador da “Democracia corintiana”, um sistema de gestão participativa inédita em clubes de futebol. Lutou pela “Diretas Já” e além de tudo foi um gênio dentro das quatro linhas, conhecido por seus passes de calcanhar e seus gols decisivos, marcados pelo gesto em alusão aos  Panteras negras que lideravam um movimento em prol dos direitos dos negros nos EUA.

Sócrates partiu no mesmo dia em que o Corinthians, que o tem como símbolo, se sagra pentacampeão brasileiro.

Bela homenagem.

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