Sempre tive medo de histórias de terror. Filmes com este tema nunca me agradaram e as únicas vezes que dediquei tempo a vê-los foi, quando criança, na tentativa de provar minha hombridade frente a meus irmãos mais velhos que adoravam disfrutar de histórias horripilantes.
Aqueles em que o mal é representado por figuras sobrenaturais como fantasmas, híbridos bizarros ou quimeras alucinantes eram os que mais me amedrontavam. Talvez devido à impossibilidade humana de controlar o sobrenatural.
Assassinos brutais são temíveis, mas não passam de seres humanos e, como tais, possuem limitações inerentes à sua raça.
Hoje tenho a consciência de o porquê sinto medo ao ver filmes de terror, ainda que tenha a consciência clara de que as imagens não passam de uma encenação.
A ficção, afinal, está baseada naquilo que conhecemos, logo, de maneira direta ou indireta, na realidade.
A maioria das pessoas nunca chegará a ser uma estrela de cinema, mas, na vida real, mocinhos e bandidos podem ser qualquer um de nós.
Ainda que creiamos que o protagonismo das histórias reais sempre é do vizinho.
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